segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sujo Pecador


A luz sombria e irreal entrando pelos orifícios da janela, uma lágrima repulsiva caída sobre o lençol. Poemas e versos de amor nunca foram tão cruéis e desequilibrados como agora. O quarto escuro girando, como se as coisas criassem vida própria. A dor, o escuro e o esmagador silêncio são tudo o que restam agora. O fim começou e não há como voltar atrás. Lembra quando dizia que tudo ia ficar bem? Agora a morte alcançou nossos passos. Ela está nos perseguindo. Sombras e vultos. Correndo, pulando, estilhaçando e retalhando tudo o que vêm pela frente. Assim é a dor. Insolente e inigualável. As árvores verdes murchando e derramando sangue. É a morte vindo com sua vaga e desprezível coleção de almas. Ela balbucia gritos e dilata corações. Sorrindo medíocre e descaradamente, sucumbindo emoções perdidas pelo esgoto das ruas. Entrando na mente dos insignificantes e esmigalhando suas alegrias agonizantes. Mais uma vez o terror acontecendo na cidade nublada e chuvosa. O suculento sofrimento sucumbindo e acabando com o cantar dos pássaros. Eles estão caindo mortos das árvores. A cidade toda ficando em preto e branco. A canção tocando alto, ensurdecedoramente, fazendo todos se deleitarem no ódio e rancor. O armário do quarto se abre e um fantoche ileso e impaciente, cantando desesperadamente começa a correr pelo quarto. Paredes começam a escorrer como se tivessem chorando por sua miserável perda. Ninguém se importa com o que você sente, ele não se importa, a morte não se importa. Sua vida inútil e lúgubre vai permutando pela sua fuga. Podar o mal pela raiz pode ser a opção mais correta. Mas qual é a raiz do sofrimento continuo e ilusório? O teto está desmoronando, assim como sua vida. Não há para onde correr. Não há mais saída. Os fantasmas estão correndo atrás de você. Tocando, marcando e manchando cada parte do seu corpo sujo e pecador. Erros cometidos, um passado distante. Tudo será diferente. Tudo virará totalmente nada.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Paranóia


Agora estou correndo pelas ruas silenciosamente desertas tentando te encontrar. Como você sumiu assim? Seus olhos se dispersam por ai, procurando alguma coisa que nem ao menos você sabe o que é. Seu calor está exalando e sua energia já está se esvaindo. E enquanto isso a água suja do seu sorriso vai escorrendo pelas calçadas, levando tudo o que vê pela frente. Ela é um perigo, ela é a destruição. Seu sorriso é destruidor. A ponte está caindo agora, e você está do outro lado. Não posso nadar, não posso me afogar em seus resquícios. Corro então, corro sem um trajeto, corro sem pensar. Flores coloridas estão secando e caindo a cada passo meu. Trago a morte comigo. E no caminho sorrisos vão se apagando, olhos vão se fechando, mãos vão se soltando. O parque de diversões fechou. Os brinquedos apodreceram. O coração ali está infecto. Podre e venenoso. A montanha-russa está desmoronando. Palhaços loucos correm pelo campo. Eles se martirizam, eles se beijam, eles estão alucinados. Minha mente está alucinada. Eles bebem, eles gritam, eles sorriem maliciosamente. Camisas de força aparecem neles. E eles não podem se soltar, não posso soltar. Desesperador, talvez seja assim quando a escuridão se aproxima.
Você está lá agora, rindo paranoicamente sobre o galho da árvore seca, inatingível e sorrateiramente viciante. É uma droga incurável, é um câncer cerebral sem tratamento. Estou ficando louca, e isso está aumentando dentro do meu corpo. Estou surtando. Toco pianos com os dedos enfaixados e sangrentos. Estou me deteriorando.
Ainda sinto o seu gosto preso na minha garganta. Ele escorre pela minha boca e queima meus olhos. Arde violentamente e prazerosamente. Os palhaços riem sem parar, loucamente ébrios.
A música começa a aumentar ensurdecedoramente. Os prédios em volta gemem. Vidros quebram-se em estilhaços e cortam as pessoas que passam tranquilamente pela rua. Agora o desespero é total. Todos correm, prédios desabam. Todos estão loucos, todos estão felizes e sangrando. Fim da dor, início da incompreensão. Tumulto. Bailarinas dançando pornograficamente ao som de uma música pesada. Drogas e álcool tomam tudo em volta. Sem saída. Abismos começam a se abrir, tudo vai se quebrando. Todos estão pulando, todos estão loucos. Você é alucinante.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Cada gota de ardor


Então olho profundamente dentro de seus olhos, e enquanto você se afasta, eles escorregam e se fecham como um lacre encantado. Sinto seus lábios macios tocarem a parte lateral do meu pescoço. Meus olhos pesam e um calor intenso sobe pelas minhas veias, queimando-as como fogo. Um calor que me prende e me paralisa. Só quero sentir-te por mais alguns segundos. Seus braços levemente afagam minhas costas, subindo até minha nuca. E mesmo com os olhos fechados, consigo ver o sol e o céu azul que lhe ronda. Calor. Agora abro os olhos, como um raio, seus olhos cegam os meus. E como num súbito espanto, eles se fecham novamente. Sinto seus fartos lábios nos meus, acariciando cada canto desta superfície densa. Então me sinto como em um filme que os casais olham através do pára-brisa do carro, tudo o que há além do despenhadeiro. A lua os banha e eles se amam de uma forma alucinada e apaixonada. E agora você está sussurrando em meu ouvido. Sinto uma forte e involuntária vontade de te agarrar ardentemente. Meus olhos estão fechados, estou ouvindo cada arranho da sua voz, cada toque doce. Ela parece uma música de um disco de vinil que está sendo fundido e que vai caindo derretidamente se transformando em algo saboroso. Quero abraçá-la, quero cantar sua voz, quero gravá-la e ouvir milhares de vezes sem parar, sem pensar, só apreciando sua magnitude e beleza. Sou uma tola apaixonada pelo seu som, apaixonada pela grandiosidade de seu sorriso esplêndido. Ele ilumina meus pensamentos, e atordoa-os. Seu sorriso me desnorteia, me deixa sem rumo. Seu sorriso malicioso e sua voz galante me deixam em pleno êxtase. Você me abraça e eu sinto seu cheiro, sinto seu corpo. Consigo sentir seu sangue andando pelas veias e seu coração batendo em seu peito. Então você suavemente e prazerosamente sorri e me dá um beijo terno e aconchegante em minha testa. E sai, sabendo que conseguiu arrancar e levar o coração do meu peito, junto consigo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

The Runaways


Agora você foge com todas as suas insinuações hostis e meramente odiosas. Esfrega em mim suas palavras, balbuciando suas mentiras. O céu está escurecendo meu bem, para onde você fugirá agora? Para os braços de uma outra alguém que só quer te afogar embaixo de lágrimas, te soterrar em seus próprios lamurios?
Você ainda vai fugir, certo? Então esconda suas desculpas a sete palmos do chão. Esmague-as e suma com elas. Esse aqui não é o caminho para você que só deseja a dor.
Se esconda, corra. Mas ainda assim irei te alcançar. Você se arrependerá, se ajoelhará no chão limpando seu sangue. Você vai querer, vai implorar. Eu vejo isso nos teus olhos, eles não mentem. Eles são obscuros e profundos. Ah meu amor, eu vou fazer você derramar suas objeções no chão, vou fazer você repensar seus atos, vou fazer você lamber suas faltas.
Essa é a sua história garoto, você está correndo. Está na ponta de um precipício e tem dois lados a escolher, subir ou cair pra sempre.
Corra da chuva, corra do amor, fuja, se esconda. As gotas ácidas vão começar a cair a qualquer momento. Mas mesmo assim, você não consegue esquecer-se do passado amargo.
Sozinho, escuro, silêncio. Essa é a sua vida. A visão de alguém sem esperança afogada em álcool e ilusões. Desvende seus olhos, tente enxergar. Ainda há muita coisa pra você lá fora.
Escondido entre quatro paredes, gritando. Elas não respondem meu bem, e nunca irão. Elas olham, te escondem, elas são a dor. Elas não podem ouvir. Elas são você
Desespero, rancor, sofrimento. Alimentando esperanças frustradas. Se enforcando com suas próprias desculpas, escalando árvores, comendo pedras e ingerindo fogo. Você está se martirizando garoto, você não consegue parar, está viciado na dor. Correr, cair, continuar correndo. Sem rumo, sem acreditar, procurando o escuro de algum lugar que te traga lembranças felizes. Sua história irá terminar. Você não pode fugir garoto, não pode.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Depois da chuva


Às vezes certas coisas acontecem e pegam a gente realmente de surpresa. Era como se eu realmente estivesse parada em uma esquina com uma placa de “destino” nas mãos.
Tem momentos em que depois você para pra pensar e vê que tem alguma coisa não muito comum no meio. É como se primeiro viesse a chuva e depois o arco-íris, primeiro o desgaste e depois a recompensa. Como se você estivesse esperado o tempo inteiro por aquilo e logo o que você mais queria aparecesse do seu lado sem você ao mínimo se dar conta. E então você percebe que aquilo era realmente o que você mais queria.
Sabe quando o mundo inteiro parece parar? Quando todas as pessoas parecem sumir? Quando tudo parece não fazer mais sentido? É ai que tudo se encaixa, a vida não precisa de sentido e é nessa bagunça que as coisas se perdem e você nem se preocupa em querer achar.
Perdemos a vida inteira procurando o cara certo, mas e se o que te faz feliz mesmo é o errado? Aquele cara que não trabalha, não estuda e de quebra tem uma banda de rock. Aquele que faz você fazer coisas que nunca tinha feito. Aquele cara que faz você se sentir livre de qualquer preocupação. Aquele que faz você sentir que a vida vale à pena e que faz você perceber que se arriscar é a melhor coisa do mundo. Aquele cara que esquenta suas mãos, que te protege e que não fica te iludindo com palavras bonitinhas e juras de amor. E sobre esse cara errado, ele pode ser o que te salva quando você pensa que quer morrer.

sábado, 9 de outubro de 2010

Também


Em um dia ele viu
Com olhares a mostra
Com sorrisos vazios
Com calma e um pouco hostil
Tudo estranho
Tudo por um fio
Tudo esperando
Tudo frio
E então ao ver algo
Ele parou e riu
Riu com ânimo
Riu, pois viu
Que ao cair do sol
Seu amor também sorriu.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Indefinível


Indiferentemente seus olhos fuzilam os meus, fazendo com que um tremor covarde percorra meu corpo. E então sua voz toca meus ouvidos e as lágrimas escorrem pelo meu rosto, percorrendo o lugar que deveria ser seu. Pois seu olhar percorre meus olhos, e sua boca se abre em um sorriso esplêndido e malicioso, como os acordes que pairam no ar. A canção nos envolve em um equilíbrio soturno, e sem razão é como se você soubesse de tudo. Pois a melodia dos meus sonhos define você e a cada passo dado sua imagem vai se materializando, mas eu não consigo lhe alcançar.
Sua voz melancólica traz o êxtase, e eu ainda não consigo te alcançar. Então você vem em minha busca. Procure-me agora como se procura uma canção em discos antigos, pois essa história já está gravada como filmes de época, como o preto em busca do branco.
E então pegue em minha mão para dançar, ou apenas pegue em minha mão. Será que assim eu posso ver o que você sente? Será que assim eu posso olhar por dentro de seus olhos e ver o que você sente?
Pegue sua mão e toque lá no fundo do meu coração. Você consegue ver? Agora você consegue ver?
E então sua música trás consigo o teu semblante, e você está do meu lado. Posso te tocar agora? Pois a cada sílaba pronunciada, seus olhos cada vez vão ficando sutilmente mais escuros. É como se eu entrasse por dentro deles e fosse para outro mundo. Um mundo escuro, como se eu estivesse fazendo uma viagem turbulenta pelo universo. E nada se define, nada define você.
É como se eu estivesse presa em uma forte correnteza em alto mar. Estou me afogando, e não vejo mais nada, mais nada.
Adormecendo, adormecendo estou. Tudo vai ficando escuro, escuro.
Então você se senta ao meu lado e diz algumas palavras. O que você disse? Não consigo lhe entender. Indefinível, indefinível.